segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Vídeo Show": Novela estrelada por Susana Viera nos anos 80, “A Sucessora” é uma excelente escolha, se não for uma das melhores, a ser contada resumidamente no quadro “Novelão da Semana” do programa



Susana Vieira coleciona diversas personagens inesquecíveis ao longo de mais de 50 anos de carreira, mas, sem dúvida, Marina, de “A Sucessora”, exibida em 1978, tem um significado especial para ela. Não só por ter sido sua primeira protagonista, mas também por considerar “a novela mais linda da sua vida”. E para as novas gerações que não tiveram a oportunidade de assistir à trama de autoria de Manoel Carlos, ela estreou nessa segunda-feira (6) no “Novelão da Semana”, quadro do “Vídeo Show”. Através de um clipe de cenas, sob a narração de Ricardo Gonçalves intercalada com alguns diálogos dos personagens, em cinco dias é feito um resumão de toda a história.

No primeiro “capítulo” do resumão já se teve ideia do enredo: na década de 20, um viúvo milionário do Rio de Janeiro, Roberto Steen (Rubens de Falco) vai a uma fazenda comprar terras e, ao conhecer Marina (Susana), filha da proprietária, ambos se apaixonam à primeira vista. E despertam os ciúmes de Miguel (Paulo Figueiredo), que ama a moça, mesmo sem ser correspondido. Marina e Roberto se casam e vão morar na mansão dele no Rio, a então capital federal. Ao chegar, a nova senhora Steen se depara não apenas com um imenso quadro com a imagem da falecida mulher, Alice Steen, como também com Juliana (Nathalia Timberg), a misteriosa e malévola governanta.

O que na época precisou de vários capítulos para ser contado, com muito suspense, foi perfeitamente entendido em apenas cinco minutos. Fica até uma curiosidade quando, no fim do quadro, mostram a vinheta de "A seguir, cenas dos próximos capítulos". Além da comparação de como uma novela de época era feita há 34 anos atrás, é curioso perceber como, mesmo sem dispor de recursos tecnológicos mais avançados, a abertura de “A Sucessora” supera em elegância a muitas feitas atualmente, mostrando uma sequência de cartões-postais que remetiam ao romantismo dos anos 20. E a música “Odeon”, de Vinicius de Moraes e Ernesto Nazareth, encaixa-se perfeitamente na voz de Nara Leão.  

Em uma das entrevistas que fiz com Susana Vieira recordando alguns dos momentos mais significativos de sua trajetória, ela afirmou ter sido esse o seu melhor trabalho em novelas. “Fiz uma menina de 16 anos, eu já tinha 35 e convenci. Foi a primeira e única novela em que me entreguei tanto à personagem que confundia ficção com realidade. Eu tinha medo da Nathalia Timberg – que era a má da história – até no camarim. E me apaixonei pelo Rubens de Falco de verdade, a gente até namorou depois. Se daqui a 30 anos eu tiver que sentar para assistir a uma novela e ficar feliz vai ser ‘A Sucessora’”, afirmou Susana.

Diferentemente do “Vale a Pena Ver de Novo”, que reapresenta novelas através de um compacto dos capítulos, o “Novelão” não é uma reprise, mas sim uma forma de se usar uma narrativa ilustrada por imagens de arquivo para contar em uma semana a história de um folhetim, usando apenas suas partes principais, começando na segunda e terminando na sexta-feira.  A vantagem é que, por não exibir capítulos inteiros, novelas mais antigas estão podendo ser resgatadas.

Desde 28 de maio, quando o quadro estreou, já foram contadas resumidamente as novelas: “Tieta” (1989), “Brega & Chique” (1987), “A Gata Comeu” (1985), “Renascer” (1993), “A Viagem” (1985), “História de Amor” (1995), “Celebridade” (2003), “Cobras & Lagartos” (2006), “Estrela Guia” (2001) e “Pedra Sobre Pedra” (1992).

É torcer para que nas próximas semanas mais novelas dos anos 70, assim como está acontecendo com “A Sucessora”, ganhem a sua vez no “Novelão”, como “O Casarão”, de 1976, “Locomotivas”, de 1977, “Dancin’ Days”, de 1978, e tantas outras inesquecíveis, mas que dificilmente voltarão no “Vale a Pena Ver de Novo”.